Upan 30
anos
Texto publicado no jornal Vale dos Sinos em 12/07/2001
Amanhã, 13 de julho, a União Protetora do Ambiente Natural (UPAN) completa 30 anos de existência. Na época em que foi criada, algumas pessoas de São Leopoldo, que recém haviam fundado a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), em Porto Alegre, reuniram-se com mais outros leopoldenses e decidiram que deveria haver um núcleo independente da entidade porto-alegrense aqui no Vale. Então, surge a Agapan-
-NL, que mais adiante foi denominada Agapan-SL. Em 30 de novembro de 1987, numa assembléia geral, a entidade passaria a ser conhecida pelo nome que tem até os dias de hoje. Naquele momento, a troca do nome atendia a uma necessidade que os militantes de ambas as entidades sentiram em função da confusão causada pelo nome em comum. Confusão, aqui nesse caso, tem um sentido positivo, pois se deu pela constante presença da entidade leopoldense nos órgãos de imprensa em nosso Estado. Além disso, a troca para Upan tinha o objetivo de homenagear o patrono da entidade, Henrique Luiz Roessler, e resgatar de alguma maneira a União Protetora da Natureza (UPN), criada por ele em Janeiro de 1955. Segundo depoimentos de alguns fundadores da Upan, entre os quais o de Renato Petry Leal –que também foi o primeiro presidente -, a idéia inicial era de reativar a UPN, pois a mesma encontrava-se praticamente desativada desde a morte de seu fundador, em 14 de novembro de l963. Mas, a tentativa foi frustrada diante de entraves burocráticos do estatuto e pela inviabilidade de reunir os associados dispersos pelo RS. Então, a escolha por Agapan, que mais tarde, em simbiose com a UPN de Roessler transformou-se em Upan.
Nessa longa trajetória histórica em defesa da vida e do ambiente natural, a Upan não só reafirma a presença pioneira de nossa região na causa ecológica, como também registra a marca e a influência de suas ações e campanhas no destino cultural do Vale e principalmente de São Leopoldo. Seria nossa cidade a primeira do interior a ter uma Secretaria do Meio Ambiente, caso a Upan não a tivesse reivindicado junto ao poder público? Existiria o Comitesinos há tanto tempo, caso a Upan não tivesse desenvolvido, a partir de 1987, uma campanha intensa pela recuperação das águas do Rio dos Sinos e que propunha justamente no sétimo ponto a criação de uma administração de bacia? A propósito, dentro dessa mesma campanha, teriam os curtumes e outros setores industriais tratamento primário e secundário de efluentes no final da década de 80, caso os ecologistas não tivessem pressionado os mesmos e as autoridades? E os lixões localizados em banhados, próximos a arroios e ao Rio dos Sinos, depositados pelas prefeituras da região e que foram desativados pelas denúncias e ações judiciais movidas pela Upan? Também houve ações nos inúmeros depósitos de lixo industrial. Não fosse a entidade leopoldense, o matinho do Pe. Réus, a Mata do Daniel, as árvores do Centro e os banhados que hoje ainda existem seriam coisas do passado.
Márcio Link, Conselheiro Fiscal da UPAN
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