Projeto do Centro de Estudos e Pesquisas em Ambientes Rurais Sustentáveis – CEPARS
Equipe Técnica:
Arq. Viviane Martins
Arq. Carolina Herrmann
Arq. Milena Barbalho
Arq. Sílvio Santi
Arq. Daniel Reimann
Geóloga Juliana Young
Engenheira Maria da Luz Silva
Biólogo Rafael Altenhofen
Acad. Biologia Carine Emer
Acad. Biologia Cláudia Paz
O CEPARS deverá contemplar estudos e pesquisas nas áreas de bioconstrução, permacultura, agrocologia, sistemas agroflorestais com espécies nativas, manejo de espécies exóticas, reintegração de animais apreendidos e outras práticas sustentáveis.
A implantação geral do Centro foi realizada sob metodologia projetual participativa, assim como a definição de diretrizes, tecnologias e materiais de construção para a concepção das edificações e infraestruturas. Os projetos das edificações foram concebidos separadamente pelos arquitetos respeitando as decisões coletivas, os projetos individuais passaram por momentos de trocas coletivas para garantir a harmonia do conjunto.
A implantação da área foi orientada por quatro princípios:
Assentamento Sustentável:
Compreendido como um espaço empreendido pelo ser humano com a utilização responsável de recursos naturais, optando como estratégia nesse projeto pelo uso de materiais de baixo impacto ambiental, energias renováveis e arquitetura bioclimática.
Empoderamento da Sociedade Civil:
Referindo-se a espaço de interação e inclusão social, priorizando atividades e conceitos de Educação Ambiental, resgate e valorização de saberes populares e formação de agentes multiplicadores nas tecnologias, práticas e saberes desenvolvidos no centro.
Econômico:
Compreendendo o planejamento eficiente no uso de materiais, energia e recursos não-naturais, a experimentação e demonstração de tecnologias sustentáveis e de baixo custo e a geração de renda.
Design Permacultural:
Essa dimensão vai de encontro às diretrizes e princípios da permacultura, utilizando na concepção do espaço o zoneamento de acordo com a intensidade de uso, respeitando os condicionantes naturais (Setores) e a redução da entropia (perda de energia).
Zoneamento Permacultural
O programa de necessidades busca atender algumas atividades, hoje desenvolvidas pela entidade, com o objetivo de concentrar práticas em um mesmo sítio como referência de aprendizado e experimentação de tecnologias sustentáveis no Brasil. Essas atividades foram localizadas conforme intensidade de usos, zoneamento permacultural, e inter-relações respeitando os setores naturais (insolação, ventilação, topografia, chuvas...).
Zona 0: É o conjunto de edificações de uso mais intensivo, o centro do sistema, a partir do qual iniciamos o nosso trabalho.
Espaços de confraternização
- Cozinha coletiva e Refeitório
- Local para cursos
- Sanitários
- Farmácia caseira e fitocosméticos
Zona 01: Áreas mais próximas da zona 0, de elementos que necessitam de cuidado diário.
- Recepção / Administração
- Museu
- Alojamentos coletivo/individual
- Sanitários
- Espiral de ervas
- Horta mandala
- Composteira
Zona 02: Envolve elementos que necessitam de manejo freqüente sem a intensidade da Zona 1. Essa área oferece proteção à Zona 1.
-Cultivo de Aromáticas
- Cultivo de Ervas Medicinais
- Banco de sementes
- Viveiro de mudas e Estufa
- Culturas em agroecologia
Zona 03: Mais distante da zona 0, com áreas de cultura que ocupam mais espaço e não necessitam de manejo diário. (SAF)
- Floresta de Alimentos: Pomar de nativas e manejo de exóticas
- Proteção vegetal -mata em regeneração
- Mirante e caixa d´água
- Trilhas Ecológicas
Zona 04: Área visitada raramente, destinada à produção de espécies silvestres comerciais. Extrativismo sustentável e manejo florestal.
- Plantação bambus guandua
- Madeira manejada para construção
- SAF (Sistema Agro-Florestal)
- Local para meditação/ Memorial
- Manejo de plantas exóticas
- Reintegração de animais apreendidos
Zona 05: Campo restrito a pesquisadores e coleta ocasional de sementes. Desenvolvimento e recuperação natural da floresta.
- Preservação e contemplação

A implantação geral teve inspiração nos quatro elementos da natureza (água, fogo, terra e ar), de acordo com qualidades atribuídas pelo grupo em dinâmica de percepção ambiental realizada em uma das visitas ao terreno:
1. Elemento Água: (projeto arq. Milena Barbalho)
Atributos: acolhimento, sensibilidade, sutileza e flexibilidade.
Espaços relacionados: Recepção, museu, administração e banheiro seco.


2. Elemento Fogo: (projeto arq. Viviane Martins e arq. Sílvio Santi)
Atributos: atividade, paixão, reunião, sabedoria, espiritualidade e emoções.
Espaços relacionados: Cursos, cozinha coletiva, refeitório, farmácia caseira, áreas de confraternização externa (fogo de chão e fogueira), sanitários.


3. Elemento Terra: (projeto arq. Carolina Herrmann)
Atributos: aconchego, segurança, praticidade e permanência.
Espaços relacionados: Alojamentos, sanitários, estufa, sementeira e depósito de sementes.


4. Elemento Ar: (arq. Daniel Reimann)
Atributos: leveza, abertura, espontaneidade e integração.
Espaços relacionados: mirante, reservatório de água, meditação e trilhas.

