São Leopoldo, 12 de Agosto de 2006

Pesquisa ajudará a preservar a Araucária no RS
Projeto será executado com apoio da Upan, IFS, Unisinos e Fapergs

Árvores não são pés de couve ou milho,
cuja colheita se pode fazer em poucos
meses. O pinho precisa de 50 a 80 anos
(...) para produzir toras de aproveitamento
econômico pelos engenhos de serra.
(Henrique Luis Roessler,25.01.1963)

A proibição do corte da Araucária não está garantindo as populações da espécie. Estudo apoiado pela UPAN vai auxiliar no manejo comunitário dos pinhões.

São Leopoldo, RS – De tanto ser cortada para a obtenção de madeira ou para abrir espaços à agropecuária, a imponente Araucária está à beira da extinção. No início dos anos 40, o pinheiro cobria cerca de vinte milhões de hectares no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Hoje, restam menos de 500 mil hectares dessas matas.

A situação precária da árvore simbólica para o Sul do país levou à proibição estadual e federal de seu corte. Mas isso não garante sua sobrevivência. Toneladas de pinhões são coletadas, consumidas e vendidas pelas populações todos os anos, e as florestas que sobraram enfrentam o fogo e o gado e a vizinhança com grandes plantações de pinus, eucalipto, soja e milho.

Agora, o desafio é preservar e recuperar as florestas com araucárias. Para isso, a ciência quer descobrir como os pinheiros nascem, crescem, vivem e morrem. A pesquisa inédita é liderada pelo pesquisador Alexandre Fadigas de Souza, coordenador do Laboratório de Ecologia de Populações de Plantas da Unisinos - Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Participarão alunos da graduação, mestrado e doutorado.

Os estudos começaram em algumas áreas dentro dos 1.600 hectares da Floresta Nacional de São Francisco de Paula, a pouco mais de 120 quilômetros de Porto Alegre. Com dois anos de duração, o projeto conta com doze mil dólares (cerca de 25 mil reais) da Fundação Internacional para a Ciência (Suécia), com doze mil reais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul. O trabalho também tem o apoio da Unisinos e da Upan – União Protetora do Ambiente Natural, que irá auxiliar no manejo comunitário dos pinhões.

“Proteger as florestas de araucárias é importante para muitos animais e plantas e também para as pessoas, pois regulam o clima, as chuvas e fornecem água para os rios, além de serem atrativos para um ainda pouco explorado turismo“, disse o professor.

Os resultados do trabalho, segundo Fadigas, poderão ser usados por organizações não-governamentais, sociedade civil e órgãos públicos de cidades, estados e do governo federal para melhorar a proteção às araucárias. Existem parentes da árvore brasileira no Paraguai, Chile, Argentina e Nova Zelândia.

Em julho, a União Protetora do Ambiente Natural completou 35 anos de trabalho, consolidando-se como uma das entidades ambientalistas mais antigas em atividade na América Latina. Em dezembro do ano passado, promoveu o 1º Simpósio Brasileiro de Incineração, em Porto Alegre. O evento levou ao lançamento de um portal sobre os poluentes furanos e dioxinas.

por Aldem Bourscheit - jornalista

Texto original publicado no Jornal Enfoques, da ProImagemRS, de São Leopoldo/RS
Disponível também na EcoAgência.


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