Pesquisa ajudará
a preservar a Araucária no RS
Projeto será executado com apoio da Upan,
IFS, Unisinos e Fapergs
Árvores não
são pés de couve ou milho,
cuja colheita se pode fazer em poucos
meses. O pinho precisa de 50 a 80 anos
(...) para produzir toras de aproveitamento
econômico pelos engenhos de serra.
(Henrique Luis Roessler,25.01.1963)
A
proibição do corte da Araucária não está
garantindo as populações da espécie. Estudo apoiado
pela UPAN vai auxiliar no manejo comunitário dos pinhões.
São
Leopoldo, RS De tanto ser cortada para a obtenção
de madeira ou para abrir espaços à agropecuária,
a imponente Araucária está à beira da extinção.
No início dos anos 40, o pinheiro cobria cerca de vinte milhões
de hectares no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Hoje,
restam menos de 500 mil hectares dessas matas.
A situação
precária da árvore simbólica para o Sul do país
levou à proibição estadual e federal de seu corte.
Mas isso não garante sua sobrevivência. Toneladas de pinhões
são coletadas, consumidas e vendidas pelas populações
todos os anos, e as florestas que sobraram enfrentam o fogo e o gado
e a vizinhança com grandes plantações de pinus,
eucalipto, soja e milho.
Agora,
o desafio é preservar e recuperar as florestas com araucárias.
Para isso, a ciência quer descobrir como os pinheiros nascem,
crescem, vivem e morrem. A pesquisa inédita é liderada
pelo pesquisador Alexandre Fadigas de Souza, coordenador do Laboratório
de Ecologia de Populações de Plantas da Unisinos - Universidade
do Vale do Rio dos Sinos. Participarão alunos da graduação,
mestrado e doutorado.
Os estudos
começaram em algumas áreas dentro dos 1.600 hectares da
Floresta Nacional de São Francisco de Paula, a pouco mais de
120 quilômetros de Porto Alegre. Com dois anos de duração,
o projeto conta com doze mil dólares (cerca de 25 mil reais)
da Fundação Internacional para a Ciência (Suécia),
com doze mil reais da Fundação de Amparo à Pesquisa
do Rio Grande do Sul. O trabalho também tem o apoio da Unisinos
e da Upan União Protetora do Ambiente Natural, que irá
auxiliar no manejo comunitário dos pinhões.
Proteger
as florestas de araucárias é importante para muitos animais
e plantas e também para as pessoas, pois regulam o clima, as
chuvas e fornecem água para os rios, além de serem atrativos
para um ainda pouco explorado turismo, disse o professor.
Os resultados
do trabalho, segundo Fadigas, poderão ser usados por organizações
não-governamentais, sociedade civil e órgãos públicos
de cidades, estados e do governo federal para melhorar a proteção
às araucárias. Existem parentes da árvore brasileira
no Paraguai, Chile, Argentina e Nova Zelândia.
Em julho,
a União Protetora do Ambiente Natural completou 35 anos de trabalho,
consolidando-se como uma das entidades ambientalistas mais antigas em
atividade na América Latina. Em dezembro do ano passado, promoveu
o 1º Simpósio Brasileiro de Incineração, em
Porto Alegre. O evento levou ao lançamento de um portal sobre
os poluentes furanos e dioxinas.
por
Aldem Bourscheit - jornalista
Texto
original publicado no Jornal Enfoques, da ProImagemRS, de São
Leopoldo/RS
Disponível também na EcoAgência.
UPAN
- União Protetora do Ambiente Natural
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